Escoteiros podem ser ateus? No Reino Unido podem!

O presidente do CAN, Márcio Albuquerque, enviou esta interessante reflexão, a respeito de mudanças na promessa escoteira no Reino Unido, uma das associações escoteiras com maior crescimento na última década.
Vejam que interessante. 
Eu – minha opinião – sempre penso que é impossível pensar escotismo sem pensar em Deus. Por outro lado, conheço ateus que são mais próximos de Deus que muitos que se dizem “crentes”. E a estes? Devemos proibir que sejam escoteiros? Será que a partir do Escotismo, da vida ao ar livre e do serviço não conseguirão encontrar Deus?
Altamiro

Prezados(as),

Nos últimos dias muitas reportagens referente a mudança na promessa escoteira no Reino Unido com a opção para membros ateus.

http://www.bbc.co.uk/news/education-24434510

http://www.telegraph.co.uk/news/religion/10361826/Scouts-introduce-atheist-opt-out-but-keep-God-in-pledge.html

http://www.express.co.uk/news/uk/435097/Atheists-welcomed-by-Scouts

http://www.thetimes.co.uk/tto/faith/article3889333.ece

 Serve para reflexão!
 
Saudações,
Márcio Albuquerque
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11 Comentários on “Escoteiros podem ser ateus? No Reino Unido podem!”

  1. Devido a minha criação eu acho impossível não acreditar em Deus. Posso ser parcial, mas acho tão simples provar que Deus existe que qualquer um entenderia.
    Se formos caminhando em direção a criação do mundo e dos seres vivos, chegaremos a um início de tudo, o primeiro ato. Alguem criou esse primeiro ato do qual originou-se o restante.
    Esse ser que criou o primeiro ato é Deus (que pode ter vários nomes, conforme a religião ou grupo de pessoas).
    Simples assim!
    Se não acredita, não fique bravo… Um dia haverá de acreditar (se Deus quiser!)
    Abraços à todos
    Elmer S. Pessoa

  2. Como ateu e escotista gostaria de fazer algumas considerações sobre não somente a postagem, mas também sobre o comentário de nosso amigo Chefe Elmer Pessoa.

    Comecemos pela postagem.

    Não há nenhum conflito em ser ateu e escoteiro. No que pese uma das bases do Escotismo ser a crença em um ser supremo, exigência muito mais ligada a espiritualidade do que ao teísmo em si, não há de se falar que isto (a espiritualidade) está diretamente relacionada a acreditar em deuses.

    Existem religiões, como o Budismo por exemplo, que em algumas de suas vertentes não acreditam em uma divindade e trabalham a questão “espiritualidade” de uma forma filosófica, relacionando isto ao crescimento e amadurecimento interior, pessoal, do praticante.

    Em meu questionário para a conclusão do curso avançado, disserto sobre o que chamei de ‘espiritualidade ateísta”, citando, dentre outros, o filósofo norte-americano Robert C. Solomon e sua obra “Espiritualidade para Céticos”. Nesta obra Solomon falar sobre a “espiritualidade naturalizada” e ao defini-la evoca dois exemplos:O primeiro em relação à música, que nos arrebata. O música nos tira de nós mesmos, dizia o filósofo Schopenhauer. Permite-nos escapar de nossos temores e desejos.Transporta-nos para um universo maior e forja uma comunhão entre nós. O segundo exemplo é a natureza.

    Quer vejamos o mundo como criação de Deus, ou como um mistério secular que a ciência está tratando de entender, não há como negar a beleza e a majestade de tudo, de cadeias de montanhas, desertos e florestas. Prestemos atenção ou não, a Natureza, sem ser convidada, se impõe a nós, por meio de sua força assombrosa de um furacão ou de um terremoto, curiosamente denominados por advogados ateus como “atos de Deus”.

    O lugar para procurar a espiritualidade é aqui mesmo, em nossas vidas e em nosso mundo, não alhures. Há também espiritualidade em nosso senso de humanidade e camaradagem, em nosso senso de família (…) e ela pode ser encontrada nas melhores amizades. Mais perto do coração, a espiritualidade pode ser encontrada em nossas paixões mais nobres, em particular no amor.

    Sem fazer referência a um ser superior, “Deus” ou “Espírito Superior”, Solomon defende uma espiritualidade naturalizada e tenta fazer uma jornada pessoal de redescoberta através da filosofia. Numa outra perspectiva, estudiosos como Hardwig abordam a dimensão espiritual e a espiritualidade como “referindo-se a preocupações em relação ao significado e valores fundamentais da vida”. “Espiritual” não implica qualquer crença num ser supremo, ou numa vida depois desta. “Espiritual”, então, não significa religioso e os que se denominam ateus também têm preocupações espirituais como qualquer outra pessoa.

    Também William Breitbart (2005) conhecido psiquiatra norte-americano, pesquisador na área de cuidados paliativos, e profundo conhecedor da obra de Victor Frankl e seus conceitos de logoterapia e psicoterapia baseadas no sentido, que procura aplicar no cuidado aos pacientes em fase terminal, define espiritualidade “[…] como aquilo que permite que uma pessoa vivencie um sentido transcendente na vida. Trata-se de uma construção que envolve conceitos de ‘fé’ e/ou ‘sentido’”.

    A fé é descrita “como uma crença numa força transcendente superior, não identificada diretamente com Deus, nem vinculada necessariamente com a participação nos rituais ou crenças de uma religião organizada específica; essa fé pode identificar tal força como externa à psique humana ou internalizada; é o relacionamento e a ligação com essa força, ou esse espírito, que é o componente essencial da experiência espiritual, estando vinculados com o conceito de sentido. O sentido envolve a convicção de que se está realizando um papel e um propósito inalienáveis numa vida que é um dom, uma vida que traz consigo a responsabilidade de realizar o pleno potencial que se tem como ser humano, e, ao fazê-lo, ser capaz de alcançar um sentido de paz, alegria ou mesmo transcendência por meio do vínculo com alguma coisa maior do que o próprio eu”.

    Muitos me preguntam como eu consigo trabalhar a espiritualidade dos jovens do meu Grupo Escoteiro sendo ateu e sempre respondo exatamente isto: deuses não tem relação direta com a espiritualidade.

    Não acredito também que o Escotismo tenha como finalidade que alguém encontre “Deus” com suas atividades. A nenhum ateu falta alguma coisa e, com certeza, vivemos muito bem sem deuses. No Escotismo procuramos fazer o mesmo que aqueles que são teístas: educar os jovens.

    Em relação ao comentário do Chefe Elmer, que usa o chamado “argumento cosmológico”, que resumimos em “todo efeito precisa de uma causa”,

    A premissa maior deste argumento, “tudo teve uma causa”, é contrariada pela conclusão de que “Deus não teve uma causa”. As duas afirmações não podem ser simultaneamente verdadeiras. Se tudo teve uma causa, então não pode ter havido uma primeira causa. Se é possível pensar num deus sem causa, então é possível pensar o mesmo do universo. Por óbvio que abrir uma exceção a Deus para justificar tal argumento não é lógico e ao menos honesto intelectualmente.

    Além disto, cientificamente, não é verdade que tudo o que comece a existir tenha uma causa para sua existência. Causa é uma propriedade de eventos e não de seres.

    O que pode ter causa é o evento da passagem da inexistência para a existência de um ser e não o próprio ser. Mesmo isto não precisa ter causa. A concepção de que todos os eventos sejam efeitos de causas se origina da observação diuturna dos eventos que ocorrem dentro da escala de tempos e dimensões acessíveis à percepção humana.

    Tal conclusão é um raciocínio indutivo, isto é, que obtém uma assertiva geral com base na confirmação de muitas assertivas particulares do mesmo tipo. Todo raciocínio indutivo pode ser derrubado por um único contra exemplo. A possibilidade de observação de eventos em nível atômico e subatômico da matéria mostrou que existem muitos que são fortuitos, isto é, que ocorrem sem que nada os desencadeie. Certamente que sua ocorrência depende do preenchimento de condições que os possibilitem. Mas condição não é causa, pois causa é o que determina. Nesta categoria estão o decaimento radioativo de núcleos e a emissão de radiação por átomos e moléculas exitados. A excitação é condição e não causa da emissão. Esta se dá fortuitamente, sem nada que a desencadeie.

    A única informação que se tem é da probabilidade de decaimento para um nível mais baixo de energia ao fim de um certo tempo. O mesmo se dá com a radioatividade. Logo, a condição necessária para a conclusão por indução não prevalece e, portanto, não é verdade que todo evento seja um efeito, isto é, que possua causa.

    Argumenta-se que a causa seria oculta. Pode ser que se venha a descobrir alguma, mas o importante é que não há necessidade lógica nenhuma de que seja preciso haver uma causa. Que fique bem claro que a existência de causa é um conclusão “a posteriori”, não sendo obrigatória. Há que se investigar cada caso.

    Abraços.

  3. Alaôr disse:

    Experimente retirar um dos três apoios de um tripé. Assim também a promessa escoteira sucumbirá sem o amor a Deus.

    • Tripés palpáveis, suas pernas existem, são visíveis e sabemos de sua importância. Infelizmente, deus não é algo palpável. Outro dia lia o testemunho de uma pessoa que disse que seu pai estava vivo “graças a Deus” de três eventos de câncer. No entanto, ele foi tratado intensivamente pela medicina, teve acesso aos mais avançados recursos para o tratamento oncológico. Vamos retirar o fator “Deus” e manter a medicina: ele estaria curado. Agora vamos retirar o fato “Medicina” e deixar apenas “Deus”: com toda certeza ele estaria morto. E não vamos dizer que estamos supondo, porque cristãos e crentes de todas as religiões, quando doentes, procuram atendimento médico, não confiando apenas no fator “DEUS” para curá-las e, quando o fazem, acontece como visto recentemente nos EUA: dois casais de cristãos fundamentalistas preferiram tratar seus filhos gravemente doentes com orações e esperar a cura divina. Ambas as crianças faleceram. O chamado “amor de Deus” não as salvou. Deixemos de lado o pragmatismo religioso, pois se Deus não anda salvando crianças doentes da morte, não deve estar lá muito interessado em manter o Movimento Escoteiro com o seu “amor”.

      • Foi Deus quem o salvou.
        Indiretamente, Deus criou o homem, deu inteligência p/ estudar medicina, criar aparelhos e remédios eficientes!
        Se vc chama um taxi p/ ir ao hospital, não foi o taxi que levou, pois se não tivesse o motorista, o taxi não sairia do lugar.
        Se caminhar em direção ao princípio, encontrará Deus! A Religão veio como forma de contato, de faciltar o caminho e cada um tem o seu caminho.
        Respeito a opinião do ateu , mas tenho a esperança que ele encontre Deus pelo caminho que trilhar, até pelo ateísmo!
        Só em discutir a existência de Deus é admitir que ele existe, pois não se discute o que não exxiste, querendo provar que não existe, aquilo que não existe!
        Elmer

    • igormorgado disse:

      Metáforas logicas usando caracteristicas de objetos físicos são desonestidade intelectual, no final das contas estaremos discutindo a estrutura do tripé e não o embasamento filosofico da idéia original.

  4. Em relação a retirar “Deus” da Promessa, a coisa será complicada aqui no Brasil.

    Primeiro que religiosos, sem argumentos para barrar o crescente número de ateus, passa a reduzir a questão ao ridículo afirmando que é mera “modinha”, “rebeldia dos jovens”, como se o ateísmo tivesse surgido outro dia, mais precisamente com o advento do Facebook.

    O Brasil vive em um momento onde muitas das chamadas minorias tem saído de suas cavernas e mostrado ao mundo que sim, elas existem. No entanto religiosos fundamentalistas que sempre tiveram aversão ao diferente, nunca souberam respeitar aqueles que pensam de forma adversa a deles, se levantam aterrorizados, combatendo aquilo que mais temem em si mesmos, como o homossexualismo e o ateísmo.

    Os deuses antigos gregos, romanos e de outras civilizações hoje são considerados mitologia e suas imagens, antes sagradas, adornam museus de todo o mundo. Não duvido que o cristianismo e outras religiões caminhem para o mesmo fim. O fato é que o ser humano passou a viver muito bem sem a crença em Zeus, Apolo, Netuno, Marte, Hórus (no que pese ter trocado um ser mitológico por outro) e da mesma forma deixará, daqui a algumas gerações, de acreditar em Cristo, Alá, Shiva, etc.

    A fé em deuses é um comportamento aprendido e estimulado.

    Todos nascemos ignorantes em relação às divindades, portanto, nascemos ateus. Desde o ventre, entretanto, somos bombardeados com doutrinas e rituais religiosos, assim como aprendemos a acreditar em papai noel e no coelho da páscoa. Em um determinado momento de nossa vida nossos pais nos dizem que não existe um velhinho que nos dá presentes porque fomos bons meninos durante todo ano e, definitivamente, não existem coelhos que escondem ovos de páscoa. No entanto continuam alimentando a crença em “Deus”.

    Certamente se nossos país nos dissessem que “Deus” não existe, assim como o papai noel e o coelho da páscoa, viveríamos em um planeta repleto de pessoas que não acreditam em seres invisíveis e mitológicos e que, no fundo, só trazem falsas esperanças e a promessa de um inferno eterno se não os adorarmos e obedecer seus mandamentos que, ao final, são o que se espera de qualquer ser humano de bem.

    É interessante percebermos que a Promessa dos Escoteiros de Israel não cita “Deus”:

    “Eu prometo fazer o melhor para cumprir meus deveres para meu povo, meu país e minha terra, para ajudar aos outros em todas as ocasiões e obedecer à Lei Escoteira.”

    No hebraico:

    אני מבטיח הבטחה שלמה
    לעשות כל שביכולתי
    למען עמי ארצי ומולדתי
    לעזור לזולת בכל עת

    Se os próprios hebreus, povo do qual vem toda a base religiosa da atual civilização judaico cristã não mencionam “Deus” em sua Promessa, qual o motivo para tanta comoção em relação a isto no meio escoteiro?

    Embora a Constituição da OMME afirme que a promessa deve incluir uma referência ao “Dever para com Deus” , Baden-Powell aprovou o uso de promessas com referência a um ideal mais elevado em substituição a “Deus”, ou sem nenhuma referência a “Deus”, como no caso da Bélgica, Checoslováquia, França, Luxemburgo, Holanda e Finlândia. Em três destes países se oferece uma promessa alternativa ( França , Holanda e República Checa).

    A OMME afirmou em 1932 que nenhuma nova exceção seria feita e expressou a esperança de que os demais países não utilizassem uma promessa sem qualquer referência ao “Dever para com Deus”. Então vem o Reino Unido, berço do Escotismo, e institucionaliza uma Promessa alternativa.

    Não nos esqueçamos que a obrigatoriedade da crença em “Deus” para participar do Movimento Escoteiro tem uma forte influência maçônica, muito presente, diga-se de passagem, em outras particularidades do mesmo, além, claro, de ter sido criado em plena era Vitoriana. Não citar “Deus” na Promessa naqueles tempos seria o mesmo que deixar de jurar fidelidade à Rainha.

    Haveremos de começar uma discussão mais profunda sobre o assunto no Brasil, país onde o Escotismo afirma ser de “inclusão” mas, no entanto, vem sempre criando segregacionismos a partir de retórica barata como é o caso da ficha técnica produzida pelo assunto dentro da UEB.

  5. “Foi Deus quem o salvou.
    Indiretamente, Deus criou o homem, deu inteligência p/ estudar medicina, criar aparelhos e remédios eficientes!”

    Ou seja, “Deus” sai ganhando sempre: se foi o médico que o salvou, através da ciência, foi Deus que fez isto diretamente. Um ser todo-poderoso precisa de um intermediário para fazer a sua obra. Não bastaria ele simplesmente estalar os dedos? E se o cara morre, foi “a vontade de Deus”,

    Se vc chama um taxi p/ ir ao hospital, não foi o taxi que levou, pois se não tivesse o motorista, o taxi não sairia do lugar.”

    Péssima analogia. Já existem protótipos de veículos que dispensam o motorista. Aliás, quando usamos uma escada rolante que nos leva ao lugar que queremos ou um elevador sem ascensorista chegamos ao mesmo lugar sem a intervenção de ninguém.

    “Se caminhar em direção ao princípio, encontrará Deus! A Religão veio como forma de contato, de faciltar o caminho e cada um tem o seu caminho.”

    Como já expliquei, não pode existir uma primeira causa, já que todo efeito necessita de uma causa, portanto “Deus” não pode ser exceção. A religião veio como forma de manipulação de massas, de controle mental e da esperteza de governantes. Como fazer um povo inculto, do deserto, obedecer alguém como eles? Nada melhor que subir um monte na calada da noite passar um tempo por lá e voltar dizendo que viu “Deus” e que ele mandou alguns mandamentos.

    “Respeito a opinião do ateu , mas tenho a esperança que ele encontre Deus pelo caminho que trilhar, até pelo ateísmo!
    Só em discutir a existência de Deus é admitir que ele existe, pois não se discute o que não exxiste, querendo provar que não existe, aquilo que não existe!”

    Falácia da causa falsa.

    Se levarmos em conta isto como evidência da existência de “Deus”, teremos de considerar a existência de muitos seres míticos, inclusive vampiros e lobisomens já que muitas pessoas discutem seriamente sobre a existência deles. Haveremos de levar em conta também que deuses antigos como Hórus, Rá, Osíris também existem, já que existem profundas discussões sobre eles no meio acadêmico.

    No mesmo diapasão, teremos de admitir a existência de centenas de deuses africanos e hindus, pois milhões de pessoas acreditam e discutem suas qualidades. Se esta premissa fosse válida, vocês que acreditam em um Deus único teriam de admitir que todos os demais deuses, de todas as religiões, existem porque afinal de contas não se discute aquilo que não existe.

    E indo mais adiante, vamos admitir a existência do saci-pererê, chupa-cabras, do boto que vira homem e engravida as moças ribeirinhas, a mãe d’água, dentre outros seres fantásticos que, afinal de contas, contam até com testemunhas oculares.

    Este raciocínio primário e falacioso de que não se discute sobre o que não existe, como podem ver, não sobrevive a uma simples argumentação lógica. Algo que não existe, como o monstro do lago Ness (muito discutido a séculos) não passa a existir simplesmente pq se fala dele.

  6. Unidade 2 – Espiritualidade

    Primeiro parágrafo da pág. 9 da apostila do Curso Preliminar:

    “O Escotismo é um movimento voluntário. Ninguém é obrigado a participar dele, mas quem deseja fazer parte, deve seguir seus preceitos, como atender a Lei e a Promessa. E prometemos, quando desejamos ser Escoteiros, cumprir nossos deveres para com Deus. Existem outros Movimentos parecidos com o Escotismo sem serem religiosos.”

    Como cidadãos de um Estado Laico, temos o direito à escolha de nossa religião ou o direito de nos abster dela, acreditando ou não em Deus, nos respeitando mutuamente. A crença Nele não nos faz melhor ou pior do que nosso semelhante, oque realmente conta são nossos atos.
    O ateísmo está presente de forma não sistemática e também em sistemas religiosos e crenças espirituais, como o Jainismo, o Budismo e o Hinduísmo. Logo, nem toda religião está embasada em Deus. Segregaremos ateus?
    Tome nota:
    Segundo a UEB, artigos da Lei Escoteira:
    “1 – O escoteiro tem uma só palavra; sua honra vale mais do que a própria vida;
    2 – o escoteiro é leal;
    […]
    4 – o escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros;
    5 – o escoteiro é cortês;
    […]
    10 – O escoteiro é limpo de corpo e alma.”

    Seria muito desleal e descortês submeter um jovem ateu a uma promessa estritamente embasada em Deus.
    O 4º artigo da lei escoteira diz que o escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros, portanto o movimento deve incluir “pessoas de todas as origens sociais, afetivas e espirituais” e não criar motivos para a segregação de jovens.
    Segundo o 10º artigo, o escoteiro é limpo de corpo e alma, ainda que o jovem não acredite na existência de sua alma, ela pode ser limpa.
    Quando se lê o parágrafo da pág. 9 da apostila do Curso Preliminar posicionando-se como ateu, percebe-se o pré-conceito.
    O movimento escoteiro perdeu em número de integrantes ao longo dos anos, não podemos nos dar o luxo de perder adeptos de alma limpa por conta de erros como este. Nós escotistas, devemos ser flexíveis para reconhecer nossos erros e então corrigi-los para que possamos evoluir.
    Mesmo as leis governamentais sofrem mudanças e atualizações, talvez a utilização de outra palavra resolva a problemática da Promessa Escoteira.


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