Textos do Chefe Elmer – OUVIR A OPINIÃO DOS JOVENS

Esta recomendação feita pelo nosso fundador, Robert Baden Powell, há mais de cem anos, é um dos pilares do Movimento Escoteiro! Atitude inexistente e inovadora para aquela época, hoje faz parte essencial dos recursos para se trabalhar com jovens.

Naquela época o jovem era diferente, aliás, a vida era diferente. Procurava-se dar uma maior autonomia aquele jovem, estimulando sua iniciativa à tomada de decisões, reagindo por si só, rápida e corretamente. Procurava-se prepara-lo para sair de casa, facilitando a sua emancipação e independência. Que ele bastasse a si próprio, em condições de autossuficiência, era a meta.

Hoje, o Movimento Escoteiro contribui para firmar estas qualidades, porem faz parte de seu programa, a união e fortalecimento dos laços familiares, a convivência em sociedade, a superação de problemas comuns e, sobretudo a consolidação dos valores morais. Estes conjuntos de qualidades estão latentes nos jovens e quando desenvolvidas, formam o bom cidadão.

Na dúvida, pergunte ao jovem! Ouçam a sua opinião! Deixem que eles escolham e trabalhem sobre essa escolha! E outras frases mais, que se não foram ditas por BP, a ele são atribuídas.

Tudo tem um limite, concordam? BP quando criou o Sistema de Patrulha nos disse que era a “única maneira de se praticar Escotismo” e nele está incluso a “Corte de Honra” cujo objetivo é o treino na arte de liderar. Nela, entre outras coisas, ouvimos os jovens, seus desejos e ambições, trazidas pelos Monitores, que são os Escoteiros mais treinados da Patrulha.

Então, na realidade, quem manda na Tropa são os jovens, que expressam suas vontades nos Conselhos de Patrulha e levadas à Corte de Honra para discussão, aprovação e aplicação, não é?

Bem, esta não é exatamente a expressão da verdade… BP inteligentemente colocou na Corte de Honra o Chefe da Tropa e seus Assistentes, estes embora não devam interferir (quando é uma Corte de Honra já experiente) tem o direito de usar o “veto” às decisões tomadas, quando estas decisões poderão ferir a Promessa e Lei Escoteira, Leis Civis ou contribuir para riscos de acidentes ou possibilidade de perigo, para si ou para o próximo.

Deve-se levar em consideração que os jovens estão ainda em período de desenvolvimento, aprendendo com a convivência mútua e, muitas vezes, com os próprios erros. Não é raro, por essa inexperiência, tomarem decisões equivocadas, e aprenderem a arcar com as consequências dessas decisões.

Não sei se o fato que vou narrar é verídico, pois fiquei sabendo por intermédio de terceiros, contudo serve para exemplificar um caso de veto justificável.

Uma determinada Tropa Sênior adquiriu barracas novas com capacidade para alojar com bastante conforto, toda a Patrulha. Por ocasião da Corte de Honra, os Monitores apresentaram um pedido para que toda a Patrulha dormisse junta na mesma barraca, justificando que os uniria ainda mais e não quebraria o “Espírito de Patrulha”, até então separados em duas ou três barracas. Acontece que as Patrulhas eram mistas, formadas de seniores e guias e a chefia (que era mista) vetou a solicitação, mesmo os Monitores tendo apresentado o pedido por escrito, assinado por meninos e meninas.

É um caso de responsabilidade geral, inclusive para com os pais destes jovens. Não se tratava de não acreditar na honestidade do argumento e na confiança da palavra empenhada de que saberiam se comportar, porem, também existe um fator relevante que procede: a imagem do Movimento Escoteiro.

Imaginem os pais, familiares, outros Grupos e a sociedade (que não nos conhecendo, julgam pela aparência) tomarem conhecimento de que os Escoteiros (aí, generalizam) estão dormindo na mesma barraca, meninos e meninas, com anuência dos responsáveis? Um absurdo, pois até Chefes casados com Chefes, dormem em barracas separadas.

Seria um escândalo geral e uma péssima imagem para o Escotismo, imagem esta que procuramos manter respeitada há mais de cem anos! Seguindo as normas de um relacionamento correto, as más línguas já inventam histórias deste teor, imaginem então, se um fato desses acontecesse… Haveria a maior retirada de jovens dos Grupos feitas por pais zelosos e responsáveis!

Segundo meu entendimento, o mesmo tenderá a acontecer, guardando as devidas proporções, se aprovarmos em nosso Grupo uma das opções para o novo uniforme (vestuário), que aceita usar a camisa para fora das calças, sem cinto, lenço sem arganel jogado displicentemente no pescoço e amarrado pelas pontas com um nó, como se fosse um colar havaiano, cada qual usando um calçado, até sandálias ou pantufas (uma brincadeira, porem o regulamento permitiria). Seria essa a imagem de um Escoteiro?

O vestuário, como tudo na vida, encontrou adeptos e contrários, porem é uma roupa moderna, à gosto dos jovens, com tecido adequado e um corte atual.  Agindo com inteligência, a UEB/DN manteve os uniformes cáqui (básico), do ar e o uniforme do mar, numa atitude apaziguadora, atendendo aos mais tradicionais. Teremos então, como também terão os jovens de fora do movimento, opções para escolherem, entre o uniforme tradicional e o novo vestuário, porem ambos usados com garbo, adequadamente unificado para todo Grupo.

Somos responsáveis pela imagem que recebemos dos nossos antecessores e temos o dever de repassa-la aos nossos sucessores: um Movimento de ordem, disciplina voluntária, de capricho com nossa própria imagem, mostrando inclusive pela aparência, aquilo que realmente somos e não um bando de desleixados, que afugenta só pela visão…

Nossa obrigação, como educadores, é orientar crianças e jovens a serem bons cidadãos, conscientes de seus deveres, compatíveis com a postura e comportamento! Afinal, por esse motivo que foi criada a figura do Chefe no Movimento, com pessoas mais vividas e experientes.

Aqueles que, a sua postura tem origem no desleixo e na ociosidade e que não se submetem a um mínimo de ordem, não nos procurem, pois não haverá lugar para eles, como hoje já acontece.  Encontrarão guarida em algum “amontoado” de jovens…

Portanto, nunca devemos deixar de ouvir o ponto de vista do jovem, porem ouvi-los com a nossa maturidade, pois somos nós, Chefes, os responsáveis pelo crescimento harmonioso dos nossos Escoteiros e guardiões deste maravilhoso Movimento!

Elmer S. Pessoa – DCIM

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One Comment on “Textos do Chefe Elmer – OUVIR A OPINIÃO DOS JOVENS”

  1. Como adendo ao texto, além do “ouça os jovens”, Baden-Powell também preconizou o “ouça sempre os mais velhos”. Inclusive, creio que foi na célebre última carta que se lamentava por, adquirida a experiência de toda uma vida, não ter muito tempo para compartilhá-la. O “ouça os mais jovens” não deve ser usado como escudo para que vocês, como adultos, não se engajem em reivindicações associativas ou se façam ouvir, até porque é injusto, por não dizer covarde, a atitude de se escudar na figura do jovem para omitir-se dos problemas ou para decidir algo em nome deles sem consultá-los.

    Quanto ao novo vestuário, devemos lembrar que a fatídica cena da “sandália” foi um incidente de percurso e não uma regra. O escotista que a apresentou daquele jeito não tinha calçado apropriado para a ocasião e recorreu ao chinelo para apresentar o novo vestuário. Entendo que foi um deslize de protocolo, sem passar daí.

    A afirmação que o vestuário foi “a gosto dos jovens” fica sob responsabilidade do articulista, porque não há meios de saber, por incapacidade da ENIC, se era mesmo uma reivindicação dos jovens. Esta mudança, segunda a DEN, veio sobretudo pelo relatório de Jean Cassaigneau – onde o tema “uniforme” compõe uma parte ínfima do relatório. Ainda assim, Cassaigneau afirma que, segundo os entrevistados, a palavra “vergonha do uniforme” vinha, em sua maioria, da boca dos adultos falando pelos jovens, e não da boca dos jovens mesmo.

    Para quem teve a oportunidade de ver a apresentação do novo vestuário, notou que muitos dos integrantes da ENIC (equipe que encabeçou a mudança) tinham dificuldades de portá-lo adequadamente. O nó que amarra a ponta do lenço, aquém de uma questão estética, traz risco à segurança de quem o usa; ainda mais para nós que praticamos atividades ao ar livre e que podemos ficar presos a qualquer material por esse nó no lenço. O arganel, ao menos, tinha a possibilidade de correr e soltar.

    Ainda assim, entende-se que, com a inclusão desse vestuário, se queira passar uma imagem “descolada”, que atraia aquela parte que se pauta por modas. Na Espanha, por exemplo, são poucas as associações que usam o uniforme completo, apenas optando pelo lenço. Entende-se, também, que a associação queira se aproximar dessas associações, numa espécie de tendência que não é mundial, mas possui adeptos. Mas não devemos pular a importância de atualização institucional e pular passos em direção à modernização administrativa para dar lugar a atualizações inócuas. O novo vestuário é, nesse sentido, uma atualização totalmente sem sentido.

    Com um pouco de pesquisa, vocês verão que as associações que optaram por um novo tipo de indumentária tem uma salutar vida institucional; fazem o dever de casa no âmbito administrativo para depois se aventurarem com os adendos, como é o caso de uma roupa. Inclusive, o processo em si de mudança é feito sob consulta externa e interna. Nós, como foi comprovado neste vestuário, sequer conseguimos abrir consultas internas, mesmo munidos de ferramentas para tanto.

    O que vemos agora é o resultado disso tudo: esse deve ser o vigésimo texto que leio sobre novos vestuários, numa espécie de justificativa. Há outros com sugestões; outros que usam da égide do jovem; outros que falam em tradicionalismo; outros que falam em modernidade,….Ou seja, quando algo precisa ser muito explicado ou justificado é porque algo há de errado.

    Um abraço.


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