Mais um texto do Chefe Elmer

UM ETERNO RECOMEÇAR

Quando pensávamos que o problema estava sanado e já estávamos aliviados, prestes a comemorar, ele se apresenta novamente, como quem sempre ali estivesse! Deixa-nos aborrecidos por ter que mexer de novo em um assunto que dávamos por encerrado e, mais uma vez, iniciarmos desde o princípio, tentando reverter o processo.

De que assunto está se falando? Ou melhor, de quem estamos falando? A segunda pergunta é mais correta. Estamos falando daquele Escotista que, em um ato intempestivo, temperamental, nos deixa na mão… Ou melhor, deixa na mão diversos jovens que esperavam receber tudo aquilo que o Movimento Escoteiro oferece, mas que na realidade, pelo menos daquele chefe, não irão receber. E não foi a primeira vez!

Como regra geral, todos fazem falta quando deixam o Escotismo. Claro que tem as exceções, aqueles que não se “encaixa” em lugar algum e que na avaliação da grande maioria, foi bom ter-nos deixado, pois mais atrapalhava do que ajudava.

Levando-se em conta a divisão natural dos adultos no Movimento, em Escotistas e Dirigentes, ambos necessários para o bom funcionamento de um Grupo Escoteiro, acreditamos que o Escotista é mais difícil de substituir.

Um Dirigente, conforme sua profissão, aptidões e conhecimentos gerais, pode, com uma rápida explicação, assumir uma função de nomeação quase que imediatamente, do tipo Diretor Financeiro Adjunto, Diretor Administrativo Adjunto e outras tantas funções administrativas de um Grupo.

Ele terá que demonstrar seu conhecimento sobre o assunto, sua disposição em exercer a nova função, e algum tempo disponível para dedicar-se. Fazer sua Promessa, conhecer a Lei Escoteira, “arregaçar as mangas” e trabalhar. O uniforme é opcional para a Diretoria e ele será motivado a usa-lo, contudo, não obrigado. Com o tempo, e se estiver de acordo, poderá ser eleito titular, na próxima Assembleia de Grupo. Pode, desde o começo, iniciar sua formação escoteira participando dos cursos formais, precisando apenas comprometer-se com a causa. Concluímos então, ser relativamente mais fácil, conseguir um novo Diretor entre os pais dos jovens.

Esta relativa facilidade, não existe quando o assunto se trata em substituir um Escotista que se afasta. Por que é diferente? Porque os pré-requisitos são outros, mais específicos para a função e em uma quantidade bem maior. Estes, são formados por assuntos em que geralmente um pai não os possui profissionalmente, não fazendo parte do sua rotina.

Os conhecimentos necessários para trabalhar com crianças e jovens são numerosos e ele terá que aprender com o tempo, isso, sem contar com as qualidades pessoais, tais como, gostar de lidar com jovens, conhecer a faixa etária, liderança e carisma pessoal, saber lidar com os pais, saber trabalhar em equipe, estar à disposição dos jovens para perguntas pessoais e, por aí vai. Podem crer que a lista é bem maior…

Quanto à parte Técnica Escoteira, o problema é maior e geralmente terá que aprender a grande maioria, lendo, frequentando cursos, contatos informais, participar de atividades do tipo Indabas, Seminários, Encontros Regionais de Ramos, Primeiros Socorros, Acampar dentro dos padrões Escoteiros, Ludo Educação, e muito mais, o que leva tempo, impedindo que possa assumir uma chefia imediatamente.

Temos também os pré-requisitos que os regulamentos determinam, tais como ter idade para a função e ter sido aprovado no nível Básico, como exemplos.

Então, voltamos ao princípio: é um eterno recomeçar. Capacitar e formar um chefe desde o início, nas práticas elementares, fazendo que ele mantenha a motivação, se submeta ao aprendizado com prazer e que aceite mais um desafio para a sua vida, é demorado e trabalhoso.

Por tudo isso e mais algumas coisas, é que ficamos decepcionados quando um Escotista deixa o Grupo por motivos irrelevantes. Às vezes, por uma simples discussão em um momento inoportuno, os garotos acabam ficando sem Chefe. Reinicia-se então o demorado processo de captação e formação de adultos, num eterno recomeçar…

Dentro da normalidade, o caminho mais indicado e seguro para o Grupo, é colocar o “aspirante” a Chefe na seção escolhida, como Assistente junto com os outros Escotistas, para ir praticando e aprendendo naturalmente.

Mas, surge a pergunta: e se não tem outros? Se o Chefe que saiu conseguiu levar junto o seu único Assistente? Como proceder?

Terá que ser avaliada a situação geral do Grupo, pois cada caso tem sua resposta e que nem sempre atende a necessidade. Inicia-se pelos chefes de outras seções em condições de assumir a chefia daquela e termina no fechamento da seção e até do Grupo, passando pelo convite a Chefes de outros Grupos, aos Pioneiros com condições e, inclusive, ao Comissário Distrital que pode assumir provisoriamente até que seja encontrada a solução final.

Esta história não tem nada de novidade e quase todo mundo conhece casos semelhantes, em que um Grupo chega a encerrar as atividades por falta de adultos para administrar ou para chefiar as seções.

Normalmente, a maior fonte de chefes de um Grupo são os próprios pais, que, na realidade, são os maiores interessados na formação de seus filhos. Mais ainda, se os filhos estão satisfeitos no Grupo. Acabam, por causa dos filhos, comprando o desafio e entrando para chefiar uma seção. E a grande maioria, da certo! É o caminho natural dos Grupos que sabem trabalhar com os pais de seus jovens, captando-os para as equipes de apoio, diretoria ou em alguma seção.

A segunda fonte seriam os Pioneiros/as, mas, como sabemos, estão em uma idade em que buscam a sua própria definição. É um período de Faculdade, emprego, exército e muitas vezes, de casamento, tendo nesta época, outras prioridades para a sua vida pessoal, e que na grande maioria das vezes o impedem de comprometer-se com o Movimento Escoteiro, para assumir um Grupo ou mesmo, chefiar uma seção.

Pensando naqueles jovens que, sem chefe, terão um atraso considerável em seu desenvolvimento Escoteiro, na perda de recursos humanos para o Movimento e, principalmente, no tempo necessário para substituir um Escotista que nos deixa, até que ele possa contribuir efetivamente com os jovens, é que lamentamos a deserção dos nossos Escotistas. Mas, infelizmente, acontece muito e já que não é possível eliminar totalmente o problema, temos que estar preparados para enfrentá-lo!

Elmer S. Pessoa

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2 Comentários on “Mais um texto do Chefe Elmer”

  1. Rocelio Oliveira disse:

    Estou até hoje por causa de um filho agora somos um chefe e três filhos e uma assistente (minha esposa)e muitos e muitos amigos. Parabéns pelo texto, muito realista.

  2. Alvaro Tavares Gomes de Sousa disse:

    O assunto é polêmico, muita falação, lei da palmada, mas deixam de lado um personagens que considero principais: os pais que os responsáveis pelos filhos. A educação começa no lar. Daí… sou favorável.
    Sou pai de 3 filhos. Sou chefe escoteiro com grande experiência adquirida nos 70 anos de escotismo. Fora do escotismo também.
    Abraços a todos.
    Alvaro Tavares


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